Entre este Mar e os Tanais vive estranha
Gente: Rutenos, Moscos e Livonios,
Sarmatas outro tempo; e na montanha
Hircinia os Marcomanos são Polonios;
Sujeitos ao Imperio da Alemanha
São Saxones, Boemios e Panonios,
E outras varias nações, que o Reno frio
Lava, e o Danubio, Amasis e Albis rio.
Entre o remoto Istro e o claro Estreito
Aonde Hele deixou, cóo nome, a vida,
Estão os Traces de robusto peito,
Do fero Marte patria tão querida,
Onde, cóo Hemo, o Rodope sujeito
Ao Otomano está, que sometida
Bizancio tem a seu servico indino:
Boa injuria do grande Constantino!
Logo de Macedonia estão as gentes,
A quem lava do Axio a agua fria:
E vos tambem, ó terras excelentes
Nos costumes, engenhos e ousadia,
Que criastes os peitos eloquentes
E os juizos de alta fantasia,
Com quem tu, clara Grecia, o Ceu penetras,
E não menos por armas que por letras.
Logo os Dalmatas vivem; e no seio
Onde Antenor ja muros levantou,
A soberba Veneza está no meio
Das aguas - que tão baixa comecou.
Da terra um braco vem ao mar, que cheio
De esforco, nações varias sujeitou:
Braco forte, de gente sublimada
Não menos nos engenhos que na espada.