Os Lusiadas

Luis Vaz de Camões

Canto III


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     Entre este Mar e os Tanais vive estranha
     Gente: Rutenos, Moscos e Livonios,
     Sarmatas outro tempo; e na montanha
     Hircinia os Marcomanos são Polonios;
     Sujeitos ao Imperio da Alemanha
     São Saxones, Boemios e Panonios,
     E outras varias nações, que o Reno frio
     Lava, e o Danubio, Amasis e Albis rio.


Entre o remoto Istro e o claro Estreito Aonde Hele deixou, cóo nome, a vida, Estão os Traces de robusto peito, Do fero Marte patria tão querida, Onde, cóo Hemo, o Rodope sujeito Ao Otomano está, que sometida Bizancio tem a seu servico indino: Boa injuria do grande Constantino!

Logo de Macedonia estão as gentes, A quem lava do Axio a agua fria: E vos tambem, ó terras excelentes Nos costumes, engenhos e ousadia, Que criastes os peitos eloquentes E os juizos de alta fantasia, Com quem tu, clara Grecia, o Ceu penetras, E não menos por armas que por letras.

Logo os Dalmatas vivem; e no seio Onde Antenor ja muros levantou, A soberba Veneza está no meio Das aguas - que tão baixa comecou. Da terra um braco vem ao mar, que cheio De esforco, nações varias sujeitou: Braco forte, de gente sublimada Não menos nos engenhos que na espada.


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