O fornecimento de cuidados de saúde especializados em áreas de acesso difícil, causado pela sua localização geográfica (ilhas, zonas rurais), por factores de origem natural (tempestades, desastres ecológicos) ou por situações de conflitos bélicos, é hoje em dia já possível através da utilização da mesma tecnologia base de que se faz uso para fins de lazer ou de comércio.
Neste ponto é descrito um sistema de telerradiologia que se encontra em fase de maturação denominado por TeleInViVo [Col97]. Este sistema une a capacidade de reconstrução e manipulação tridimensional do sistema descrito anteriormente InViVo com possibilidades de transmissão de dados com base em linhas de comunicação de utilização corrente.
Um dos factores tecnológicos que mais contribuíram para a possibilidade da prestação de erviços médicos à distância foi o do desenvolvimento da Ecografia 3D. Das muitas modalidades imagiológicas existentes a ecografia tem a particularidade de ter baixos custos, ser inócuo e amovível. Na sua forma bidimensional esta técnica necessita de conhecimento especializado para recolher a informação para análise imediata ou posterior, i.e., o médico tem que estar ele próprio a manipular o dispositivo de aquisição. A forma tridimensional vem possibilitar que esta "recolha e análise bidimensional" possa ser efectuada remotamente. Isto é conseguido através da recolha dos dados de regiões 3D que posteriormente são enviados para local remoto. Uma vez transmitidos, e fazendo uso de dispositivos de interacção idênticos aos utilizados para a ecografia 2D, o médico especialista poderá simular a recolha e análise em 2D com base nos dados 3D localizados no seu computador, tal como se estivesse a efectuá-la com o paciente presente [Col97].
O sistema TeleInViVo utiliza, como o nome deixa transparecer, o sistema InViVo (ver ponto 1.3), um aparelho de recolha tridimensional de dados ecográficos e um computador pessoal (portátil).
Ambas as estações, "emissora" e "receptora", fazem uso do mesmo software aplicacional - o TeleInViVo - da mesma tecnologia em termos de recursos computacionais (baseado em Windows NT) e tem a possibilidade de comunicar entre si (modem, RDIS).
A diferença entre as duas está localizada ao nível do dispositivo de interacção, que num caso consistirá num dispositivo de recolha de dados (ecografo portátil) e no outro num simulador de sonda para interacção directa com os dados volumétricos localizados no computador.
A aquisição dos dados processa-se de uma forma muito simples, havendo neste momento duas alternativas disponíveis. A primeira baseia-se na utilização de um elemento mecanico que controla o varrimento da sonda, recolhendo secções paralelas entre si, permitindo dessa forma constituir um volume. A segunda baseia-se na monitorização da posição espacial relativa da sonda que faz a aquisição dos dados, dando dessa forma maior liberdade de movimentos à pessoa que faz a recolha dos dados. A reconstrução do volume é neste caso sujeita a um processo mais complexo [Gri97].
A comunicação entre as partes intervenientes é realizada com base em ferramentas integradas no sistema para comunicação oral e/ou escrita (chat, email, anotações). A ausência de uma opção de videoconferência é devida às características das zonas de intervenção, zonas pobres ou de conflito, que têm as suas capacidades de comunicação obviamente muito limitadas.
Este sistema será testado nos próximos dois anos no âmbito de um projecto comunitário com a mesma designação, TeleInViVo, em situações que se enquadram no que anteriormente foi descrito. O modelo de teste irá consistir na realização de testes de apoio ao diagnóstico entre zonas carenciadas em termos de conhecimento médico altamente especializado e um Hospital central universitário - Universidade de Coimbra. Serão apoiadas regiões de características geograficamente adversas (ilhas dos Açores e Canárias) e zonas remotas no Mar Aral (Kazaquistão) e ainda zonas em situação de pós-guerra - Uganda.