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3. Trabalho relacionado

Para além da interdisciplinaridade indispensável ao desenvolvimento de interfaces adaptáveis a cada classe de utilizador [Mar93], existe um conjunto de pontos que a investigação em IHM têm vindo a salientar.

3.1. Meta-Interfaces

Em [Joh93], discute-se um novo ambiente de construção de aplicações, o Visual Formalism, baseado em componentes semânticos de alto nível em vez dos widgets convencionais. Fornece uma infra-estrutura rica e flexível que suporta um nível de comunicação entre componentes suficiente para permitir a criação de interfaces de manipulação directa. Trata-se de uma perspectiva evolucionária das interfaces e representa um grande avanço face às metodologias actuais de desenvolvimento de IHMs, prometendo permitir desenvolver uma aplicação a um maior nível de abstracção. O papel do perito informático no produto final vê-se assim relegado para um segundo lugar face ao do utilizador.

3.2. Limitações das Interfaces

Existem duas linhas directrizes apontadas para o futuro das IHMs. Em [Mor93] fala-se em revolução das interfaces, em [Nie93] fala-se antes numa evolução progressiva.

À medida que a tecnologia tem avançado e suportado aplicações cada vez mais pesadas, as IHMs tiveram de acompanhar a evolução. Cada vez que uma estratégia ou aproximação é escalada para um novo nível, na tentativa de se criar um novo modelo do domínio aplicacional, corre-se o risco de atingir os seus limites práticos, devido ao custo da sua utilização. Um conjunto de limitações das interfaces actuais é apontado em [Mor93]. O princípio universal formulado no artigo pode exprimir-se da seguinte forma: quando a escala do problema muda, as técnicas para lidar com ele também devem mudar. No entanto, o desenvolvimento não precisa de ser feito "às cegas": existe um conjunto de meta-estratégias como o agrupamento, a hierarquização e o mapeamento que tem dado as suas provas ao longo da história das interfaces e que pode servir da guia aos investigadores das interfaces do depois de amanhã. Um ponto parece fulcral: aumentar a relevância do output no design da interface.

Em [Nie93], Nielsen argumenta que as interfaces da próxima geração serão diferentes das actuais, baseando-se em input não orientado ao comando (no sentido em que não é necessário comandar todas as acções ao computador), que se tornará cada vez mais predominante à medida que se exploram tecnologias alternativas de interfaces como a RV. No seu artigo, Nielsen identifica doze dimensões segundo as quais a próxima geração de interfaces poderá diferenciar-se da actual. Contrariamente ao afirmado por Morse [Mor93], Nielsen aponta para uma evolução e não para uma revolução das técnicas de interacção utilizadas nas interfaces da próxima geração. Estranhamente, muitas ideias são partilhadas em ambos os artigos, um argumentando tratar-se de evolução o que o outro chama de revolução.

Finalmente, é importante notar que muito poucos dos paradigmas das interfaces que se antevêem para o próximo século foram devidamente testados e o caso da RV apresenta sérios problemas ao nível de testes. A experiência num monitor 2D difere drasticamente da experiência do utilizador com o Head Mounted Display (HMD) colocado e um segundo HMD não é definitivamente a solução. É importante criar novas ferramentas e padrões de testes adequados às novas tecnologias.


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